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- Voyage -
Conheça a vertente que está animando os principais Chill Outs
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A cada rave que passa, os Chill Outs estão se tornando cada vez mais dançantes e ecléticos, principalmente durante a noite.

Enquanto o “psychill” predomina durante o dia, com produções na linha de Entheogenic e Shulman, vertentes influenciadas pelos mais variados ritimos estão colocando a galera para dançar no chillas.

Para ser mais direto, estamos falando do que muitos carinhosamente chamam de “nu grooves”. Isso significa que a música possui influências do jazz (nu), assim como do funk, lounge, house, hip hop (grooves).

Para conhecer mais sobre esta linha de som, entrevistamos o DJ Johnny, um dos criadores do núcleo Voyage, que realiza festas voltadas para esta nova tendência da cena.


Fale sobre o início do Voyage, como surgiu a idéia? O que inspirou você a formar o núcleo/coletivo, quem participa do Voyage?
Johnny: Conheci o Felippe no colégio, começamos a escutar música eletrônica juntos. Mais tarde, na faculdade, conheci o Gustavo, que tinha um ouvido muito parecido com o nosso. Apresentei os dois e no meu aniversário em Julho de 2007, fizemos uma festa na casa do Gustavo onde nós três tocamos, e acabou bombando demais. Animamos e resolvemos montar algo, só precisávamos de um lugar que confiasse na idéia do projeto. Em outubro do mesmo ano a Galeria de Street Art, Tríad3, resolveu apostar em nós e nos cedeu espaço. Por sinal, foi aí que decidimos criar o logo arte+música. Obviamente, música também é arte, mas isso era apenas uma forma de mostrar que nosso foco era a música, mas sempre interagindo com outras formas de expressão artística.

Ficamos residentes lá até dezembro apenas, quando a casa fechou por estar irregular. No mesmo mês, fomos para o Puri, na Rua Augusta. A proposta era diferente, até pelo lugar não permitir festas com o som bombando e ser mais um restaurante, do que um club. De lá, partimos para a Livraria da Esquina, onde a festa se consagrou na noite de São Paulo e estamos até hoje. O lugar é perfeito para a proposta, ao mesmo tempo que se pode sentar no bar para beber e jogar conversa fora, a qualquer momento você pode cair pra pista e dançar até as 7 da manhã.

Ultimamente, os Chill Outs de muitas festas e festivais estão ficando mais dançantes, principalmente durante a noite, explorando uma vertente chamada por muitos de “nu grooves”. Como você analisa esta mudança ou transformação na cena?
Johnny: Eu analiso de forma muito positiva. Foi exatamente essa linha de som, os chamados “nu grooves” que me influenciaram a montar o projeto. É engraçado como as vezes você ve alguém indo descansar no Chill Out, e acaba dançando ainda mais. Apesar dos bpms serem mais baixos, a “malícia” dessa linha de som está em outros aspectos, no timbre de um instrumento, na quebrada das batidas.

Não vejo problema nenhum em a cena caminhar para essa direção, qualquer estilo que esteja de acordo com a proposta do lugar deve ser relacionado, independentemente se a música põe a galera pra descansar, ou dançar mais que no main floor. Mais que isso, acho que os chill outs das raves e festivais deveriam dar mais abertura a músicas mais batidas, não só os nu grooves, mas algumas vertentes do House também, principalmente o deep house.

Em quais países ou locais, a cena “nu grooves” é forte? Quem são os principais músicos e produtores desta vertente? No Brasil, quem são os DJs e produtores que estão se destacando nesta vertente?
Johnny: Não sei exatamente. Esse “estilo” é uma mistura de muitas coisas. É influenciado pelo Jazz, Funk, House, Lounge, Hip Hop, etc. Em cada lugar do planeta, a cena é mais voltada para um desses estilos mais clássicos, e não saberia te dizer qual lugar exatamente a cena é mais forte. Possso dizer que muitos dos meus artistas preferidos vem da Áustria, Inglaterra e EUA, como o Frank Cueto do All Good Funk Alliance, que esteve em dezembro pela primeira vez no Brasil tocando na Tribe, e ainda tivemos o prazer de recebe-lo na Livraria da Esquina em uma iniciativa da Royal Soul Records.

No Brasil, quem começou a trazer isso pra cá foi o Soneca, amigo e referência pra nós. Ele também é o produtor do Trotter, que ao lado do Phunk Dub são os melhores produtores dessa linha de som no país na minha opinião. O Gustavo da Voyage também está começando a produzir com o nome de Wonderlab e vem surpreendendo cada vez mais. Outro que está já lançando produções de qualidade altíssima desde a primeira track é o Zel, da Kaballah.

Já em djs, os melhores da cena, sem sombra de dúvida são esses mesmos que produzem, mas não só eles. Quando se fala em discotecagem, acho que o Lótus e o Deutsch da 4am estão no mesmo nível, curto demais o set dos caras. Além deles, obviamente, a crew da Voyage inteira. Recentemente, trouxemos o Alex da Trusty pra Voyage e ele também mostrou um ótimo mix nessa linha.

O que está programado para 2009? Onde o projeto está acontecendo, alguma residência fixa? Quais serão as próximas atrações da Voyage?
Johnny: Sim, depois que nos instalamos na Livraria da Esquina na Barra Funda, a festa ganhou uma identidade tão forte que resolvemos ficar fixo por lá, desde Julho de 2008. Para as próximas edições, teremos grandes atrações. No dia 27 de março, receberemos o Soneca, celebrando seu aniversário lá, e o Schasko, de Curitiba. Em Abril, no dia 17, o convidado da vez é o Lótus e em Maio teremos 2 edições em São Paulo, uma com o Wagner J da Colors, e outra com o Phunk Dub, além da nossa estréia no Rio de Janeiro. Iremos nos apresentar no Clandestino, em Copacabana, no dia 15.

Este, por sinal, é o nosso maior objetivo em 2009, levar a Voyage para outros lugares do Brasil, e até mesmo para fora. Além dessa no Rio, estamos tentando algo em Curitiba também, mas por enquanto nada certo. A intenção é fazer Voyage todos os mêses em diversos lugares do país.

No fim de 2008, a Voyage abriu uma nova divisão de casting. Adicionamos mais 2 djs ao nosso cast e estamos ampliando a seção de arte+música. Na próxima edição da festa, estreiaremos também um novo VJ, o Br’Isaac, que agora fará dupla com nosso residente Sztutman do Museu de Imagem e Som. Além deles, pretendemos ampliar nossa exposição de fotografias que tem em toda edição da festa, feita pelo Guilherme Gomes. Há planos também de abrir uma gravadora, mas por enquanto, só especulações, vamos ver no que dá.



Mais infos:
http://www.voyagemusic.blogspot.com
www.myspace.com/johnnyvoyage
www.myspace.com/djgustavomiranda



por Paulo Henrique Schneider
fotos: divulgação
17/3/2009