Balada Planet

Redação


Entrevista com a DJ Paula

Dark trance brasileiro ganha reconhecimento no exterior

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Vertente que se mantém viva no underground da cena eletrônica mundial, o dark trance é sem dúvida uma das sonoridades mais conceituais (talvez até experimentais) do trance em geral. Seu público cativo não abre mão de um bass line gordo e acelerado, com melodias totalmente imprevisíveis. Quanto mais complexa for a música melhor.

Entre os principais representantes do dark trance nacional está o casal Janczur & Paula, nome cada vez mais presente no line up de festivais dentro e fora do Brasil. Recentemente a dupla voltou de sua quarta turnê no exterior, passando por países como Hungria, Romênia, Grécia e Índia.

Janczur e Paula participam da montagem do line up noturno do festival Universo Paralello e são responsáveis pela noite mensal de dark no club Klatu Barada Nikto (SP). O próximo projeto está relacionado com gravadora Antimateria Records, idealizada pelo DJ Boteon, por onde lançarão sua primeira compilação, prevista para 2010.

Para saber mais sobre a cena do trance noturno, conversamos com a DJ Paula, artista que acompanha a evolução da cena eletrônica há mais de dez anos, atuando também na área de produção de eventos e agenciamento de artistas.


Neste segundo semestre de 2009 você viajou em turnê para o exterior, em quais países e festas/festivais você se apresentou?
Paula: Olá! Bom, na realidade fomos eu e o Janczur para a Europa, a princípio para se apresentar no festival Transylvania Calling, na Romênia e depois eu seguiria viagem sozinha para tocar em uma festa da Wild Things Records, chamada Hyperborea, na Grécia. Chegando lá acabou rolando de tocar também na Hungria (em uma pista “clandestina” dentro do Ozora Festival, organizada pela Biomechanikal Records, foi demais!) e na Índia, de onde segui para a Grécia, com objetivo de realizar um sonho antigo de conhecer a cultura do país.

Qual foi a apresentação mais marcante desta turnê na “gringa”? Por quê?
Paula: Com certeza cada apresentacão foi marcante de alguma forma, mas a apresentacão no Transylvania Calling foi coisa de louco, a pista inteira pulava 3 metros de altura durante as duas horas em que tocamos, foi super legal, além do fato do pessoal do Psynema estar fazendo a projecão ao mesmo tempo, sincronia perfeita! Na manhã depois do set fomos ver quem ia tocar no line up ao lado do palco e alguém que a gente nem conhecia havia circulado o nosso nome e colocado um coraçãozinho, foi bem engraçado, mandei a foto pra vocês verem!

Você encontrou algum outro DJ ou produtor brasileiro no mesmo line up que você? Será que o Brasil precisa melhorar a “exportação” de nossos artistas?
Paula: Encontramos no Transylvania o produtor e VJ brasileiro Salvinorin (www.myspace.com./salvinorinspace), que realmente representou o Brasil no chill out e nas projecões, foi lindo de ver... Depois do festival sei que ele conseguiu diversos outros convites lá fora também! Sobre a nossa exportação, acho que está melhorando, não posso dizer muito sobre as outras vertentes, mas os artistas de dark psychedelic tem sido cada vez mais reconhecidos lá fora, inclusive nomes como Necropsycho, Demonizz, Cannibal Barbecue e Magma Ohm estão com tours internacionais marcadas para o ano que vem.

Que linha de som você tocou, night ou dark trance?
Paula: Na Hungria e Romênia tocamos dark e na Grécia toquei full on night, que é uma linha que eu também gosto muito e foi muito bem aceita por lá, principalmente por ser uma festa predominantemente desse estilo... O mais legal é que nessa festa rolaram vários produtores de lá que eu não conhecia, então deu pra ouvir bastante som bom e diferente. Na Índia acabei tocando um pouco dos dois.

Você acha que no exterior o mercado para este estilo é melhor/maior do que no Brasil?
Paula: O mercado desses estilos é bem parecido com o que tem rolado por aqui, um interesse cada vez maior pelo dark, sem aquele estigma de ser um som “do mal” ou pesado... Tem muito dark dançante e altamente psicodélico por aí, que me faz lembrar muito os sons psicodélicos de 10 anos atrás... Aqui no Brasil ainda não temos os festivais somente de dark como o Psycrowdelica (na Alemanha) ou o Forgotten Ritual (na Suíça), mas principalmente em São Paulo rola uma cena bem ativa, com diversas festas dedicadas exclusivamente a esse estilo (como as Dark Side of Klatu, Rebirth e as festas da Antimateria Recordings, só para citar algumas).

Na sua opinião, quais as principais diferenças entre o público trance no exterior e no Brasil?
Paula: Cara, a principal diferença que eu vejo e que faz muita falta aqui no Brasil é na pista de dança... Nas pistas de lá as pessoas dançam de corpo e alma, sem olhar para os lados, sem ficar se preocupando com os outros, pulando, gritando e realmente se entregando numa meditação ativa... Por aqui você só encontra isso em algumas festinhas ou festivais mais alternativos, no restante é aquela pista meio “morna”, cheia de cadeiras e pessoas paradas ou dançando automaticamente e conversando sem parar... Acho que o trance foi feito pra gente realmente entrar em transe, ou pelo menos quem está na pista deveria respeitar mais a música em si e a sensação que você sente ao escutá-la... É muito mais legal que fazer só social!

Como foi sua passagem pela Índia, país berço do trance? Esteve em Goa? Como está a cena psicodélica na Índia?
Paula: Foi a viagem mais importante da minha vida, sem sombra de dúvida... Um país muito pobre financeiramente, mas muito rico de alma, de coração. Aprendi muito sobre mim mesma e sobre as relações humanas e tive lições que vou levar pra vida inteira! Acabei tocando em duas festas em Goa e uma num hotel super chique em Bangalore, onde tive que tocar progressive trance pela primeira vez na vida, foi bem diferente... Deu pra ver os dois lados do país, a pobreza e a riqueza.

Já em Goa foi emoção à flor da pele, coração acelerado nos dois sets, sendo que na primeira noite eu comecei mais devagar, pra ver a reação da pista... Conforme fui soltando os BPMs mais rápidos percebi que a galera em Goa adora dark trance, e que surpresa boa foi essa! As praias dessa região são cheias de freaks e hippies do mundo todo, onde o conceito de tempo não importa e cada dia é cheio de acontecimentos malucos.

Sobre a cena psicodélica ela existe, mas não com a mesma força de antes, principalmente por causa dos problemas com a polícia. As festas ao ar livre acabam às 10 da noite (começando de dia) e somente um club tem permissão pra funcionar a noite inteira, o West End. No restante da Índia sei que rolam festas frequentes em Delhi e Mumbai, mas “open air” estão proibidas.

Você conseguiu aumentar sua coleção musical durante esta turnê? Recebeu ou comprou músicas novas durante a viagem? De quais artistas ou selos?
Paula: Com certeza... Conhecemos muitos managers de gravadoras que adoramos, como a Zaikadelic, Lyncantrop, Wild Things, Discovalley, Parvati e por aí vai... A cada parada são novos contatos importantes, convites pra tocar, produtores musicais e pessoas queridas que você conhece, esse é o principal retorno na hora de viajar pra fora... Não tem preço!

Para terminar, o que Janczur & Paula estão preparando para o décimo aniversário do Universo Paralello?
Paula: O UP é sempre uma pista mais que marcante e pede o que temos de melhor no case sempre. É um lugar onde podemos experimentar coisas novas, tendo sempre aquela sensação de que vai ser o set da sua vida. Vai ser o quarto ano consecutivo que nos apresentamos e cada vez é uma história diferente, uma conexão diferente com a pista. Ainda não sabemos quando vamos tocar, mas a certeza é de sempre muitos amigos na pista, e não existe coisa melhor do que tocar para os amigos em uma pista enorme como a do UP.


Mais infos:
www.myspace.com/janczur_vs_paula
www.4ideas.com.br/4am
Bookings: paulasimioni@gmail.com ou janczur@thefullonproject.com.br



por Paulo Henrique Schneider

28/11/2009

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