Balada Planet

Redação


Métodos fraudulentos na Internet

Saiba como muitos artistas se beneficiaram disso

Matéria





Não é mais novidade para ninguém que a era da música digital, trouxe prejuízos exorbitantes às grandes gravadoras, mas também a possibilidade de um “lugar ao sol” à praticamente todos os músicos. Podemos citar dois motivos por essas grandes mudanças:

Primeiro, a produção musical saiu dos grandes estúdios e foi para os quartos de jovens, que com um sintetizador, uma guitarra, um notebook e um software conseguem produzir faixas que até então pareciam impossíveis sem a ajuda de todo o arsenal que dispõe uma gravadora.

Já o segundo motivo, talvez o mais importante, é que os meios de divulgação se tornaram democráticos e praticamente sem custos. Qualquer banda ou artista pode divulgar seu trabalho em sites de relacionamentos, blogs ou redes sociais, atingindo um número de expectadores, que antes só era possível com estratégias de marketings mirabolantes e um enorme gasto com mídias. O que isso trouxe foi um sem-número de bandas e artistas, de todas as partes do mundo, tentando atrair a atenção das pessoas ao seu trabalho. Porém, é aqui que mora o perigo.

Através de um post relativamente antigo do site Remixture(datado de 15/04/2008) que usou como fonte o post de Sage Francis no Blog do Myspace (14/01/2008) e a reportagem do site americano Listening Pro(14/04/2008), foi noticiado a existência de diversos mecanismos para aumentar de maneira fraudulenta o número de acessos aos perfis de bandas no Myspace, a mais importante rede social de divulgação musical da internet.

Parte desses mecanismos são sites que oferecem serviços personalizados de cliques, se estendendo a softwares programados para realizar vários acessos na página desejada.
Um exemplo é a empresa We want more Promo? (site desativado) que oferecia uma curiosa tabela de preço para quantos acesso o cliente desejasse:

- 400 dólares: cinco mil plays por dia, durante o mês, totalizando 150.000.

- 800 dólares: dez mil plays por dia, durante o mês, totalizando 300.000.

- 1200 dólares: quinze mil plays por dia, durante o mês, totalizando 450.000.


Há outros exemplos semelhantes como o site Tuneboom Pro(também desativado), que utilizava métodos semelhantes para inflacionar de maneira duvidosa o número de acessos a músicas por pessoas alocadas nos perfis de músicos no Myspace. O próprio Tuneboom afirmava em seu site que já ajudará vários artistas e gravadoras a alavancarem sua popularidade com esse tipo de serviço.

Havia também softwares, como o PaceSys Traffic Master, que pelo preço de 50 dólares oferecia 4 acessos por segundos tanto no MySpace quanto no site Youtube. Todo esse aparato pode ter sido responsável pela projeção de artistas relativamente desconhecidos do grande público. E depois que se tornaram um fenômeno virtual de popularidade e não passaram despercebidos pelos meios de comunicação.


Em 2008, um escândalo envolvendo a revista DJ Mag pode ter sido fruto do uso desses mecanismos: na ocasião alguns DJs utilizaram métodos ilegais para obterem mais votos no ranking DJ Pool 100, colocando seus nomes nos primeiros lugares. Quando tudo foi descoberto, Djs praticamente desconhecidos oriundos de países sem a menor tradição na música eletrônica (China, por exemplo) já figuravam no topo.

Atualmente o Myspace perdeu parte da sua popularidade e quase entrou em concordata no final de 2009. A grande vedete das redes sociais no momento é o Twitter. Mas é bom ficar atento a esses casos, pois eles esclarecem e colocam em xeque por que muitos artistas de qualidade musical duvidosa conseguiram se tornar estrelas do dia para a noite.

Para finalizar uma rápida curiosidade: métodos fraudulentos para alavancar o nome de artistas em rankings, são tão antigos quanto os próprios rankings. Vide o boato sobre Brian Epstein(foto), o poderoso e esperto empresário dos Beatles, que no começo da carreira do quarteto de Liverpool, comprou cerca de 10.000 cópias do single “Please me, Please me” e colocou a banda entre os primeiros das paradas britânicas. Um case de tanto sucesso, que se fosse confirmado, extirparia a palavra fraude de métodos como esse.


Por Rodrigo Niemeyer Reinelt




Fontes:

Blog MySpace

Listening Pro

Remixtures

20/1/2010

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