Balada Planet

Redação


Disco de Vinil

O mais venerado objeto no universo da m£sica eletr“nica

Matéria




A cena se repete há anos: o DJ carinhosamente tira da caixa, encaixa rapidamente, ergue a agulha com leveza invejável e poucos minutos depois um grave gordo e forte se espalha pelo ambiente, animando a galera.

Esse mesmo ritual repetido à exaustão em clubs de música eletrônica pelo mundo ainda é um dos mais belos movimentos durante a apresentação de um DJ. Isso porque, apesar de todas as tecnologias digitais existentes, o Vinil continua sendo a grande “menina dos olhos” da maioria dos Disc-Jóqueis.

Feito de uma substância viscosa de cor preta, cujo o nome científico é cloreto de polivinila, o vinil é popularmente conhecido como PVC e começou a ser usado na fabricação de discos no ano de 1948, substituindo os antigos “Goma Laca” de 78 rotações.

Mais leve, maleável e resistente, esse material conferia aos discos maior capacidade de armazenamento, possibilitando que artistas extravasassem a criatividade e produzissem mais do que 2 faixas por lançamento. Estava instituído os álbuns, ou Long Play (LP).

O Vinil também apresentava uma qualidade sonora muito superior, que para a grande maioria dos audiófilos não foi superada até hoje. Parte disso graças às baixas rotações que os discos trabalham (33 e 45 RPM) possibilitando o alcance de freqüências menores e propiciando os tão almejados graves“macios” e “límpidos”.

Uma história de amor com a e-music

O nascimento da música eletrônica esteve intimamente ligada à cultura dos vinis. Desde o surgimento do movimento Dub, na Jamaica, com seus famosos “SoundSystems” (espécie de trio elétrico, comandado por um DJ usando um rudimentar sistema de mixagem), o vinil deixou de ser apenas um reprodutor de áudio, para se tornar ele próprio um instrumento. Depois de migrar para Inglaterra, onde foi adotado pela população negra como manifestação artística, a cultura da mixagem atravessou o Atlântico, chegando aos Estados Unidos.

Nos EUAs, logo foi adotada pelos jovens dos guetos de Nova York, pertencentes ao movimento Hip-Hop. Entretanto a figura dos Djs que mixavam só tomaram força em meados dos anos 70, com o advento da era Disco. Graças a crescente demanda dos clubes noturnos pela novidade, novas tecnologias começaram a pipocar, até que em 1978 a Technics, uma divisão da Panasonic, criou aquele que ainda hoje é o padrão mundial de toca-discos: o modelo MK2.

Preferida de 10 entre 10 DJS, o MK2 trouxe novos recursos, novo mecanismo de rotação, além de uma precisão muito maior do que seus antecessores, possibilitando o surgimento de técnicas complexas como os famosos “scratchs”, tão usados no hip-hop.

A partir daí o bom gosto deixou de ser o único predicado para se tornar DJ. Habilidade no manuseio e conhecimento dos vinis, além de muito feeling musical também se tornaram essenciais. Surgia então a figura do DJ como centro das festas.


O Hip Hop e a consolidação do vinil.

Com habilidade ímpar e a capacidade de transformar o vinil em instrumento musical, os DJs de hip-hop deram contribuição inestimável para que o “bolachão” fosse alçado à condição de ícone da música. Com impressionante destreza, diferentes discos eram alternados nas pick-ups, formando uma nova cadência rítmica e sonora. Essa facilidade para mesclar sons, logo tirou muitos DJs de apresentações nas ruas direto para a discotecagem em clubes noturnos.

Lá, transformaram esses locais em verdadeiras “chocadeiras” de novas vertentes, como é o caso do House, nascido no club “Warehouse” em Chicago, ou o Techno, nascido nos guetos de Detroit. Tudo graças ao nosso cloreto de polivinila.

A volta dos que nunca foram.

Em meados da década de 80, uma nova tecnologia chamada Compact Disc surgiu para se tornar o substituto do Vinil. Bem menor, mais leve e com maior capacidade de armazenamento, o CD se instaurou de forma avassaladora, relegando rapidamente seu antecessor apenas à colecionadores, saudosistas e claro, DJs.

Como esse nicho era mercadologicamente insuficiente, grande parte das fábricas foram fechadas e os discos passaram a ser encontrados apenas em sebos ou lojas especializadas. Parecia o triste fim do vinil na música. Parecia...

No final dos anos 90, a internet já não era novidade. Mas suas possibilidades sim. Dentre elas, surgiu uma pequena sigla causadora de um gigantesco estrago na indústria fonográfica: MP3. A música perdia sua forma física, para ser apenas mais um arquivo de computador. Posteriormente o surgimento de softwares de compartilhamento possibilitou que milhares de canções chegassem à mão das pessoas e nenhum tostão no bolso das gravadoras. Até hoje esse embate persiste e tem deixado marcas profundas.

Em paralelo a esse cenário, o “adormecido” vinil lentamente caia novamente nas graças de milhares de pessoas que sentiam falta da mídia “física”. A prova disso são artistas da nova geração lançando seus álbuns mais recentes no formato, grandes lojas vendendo novamente os toca-discos e a volta da Polysom no Rio de Janeiro, única fábrica de vinis da América Latina, que antes da reativação já tinha fila de artistas querendo prensar seus álbuns.

A música eletrônica não passou impune à mudança dos tempos e ao surgimento de novas tecnologias. Novos equipamentos levaram a produção e a discotecagem em clubs a patamares nunca imaginados. Programas como o Traktor ou Serato, encontraram uma forma de integrar o vinil com o arquivos de áudio digital, provando que o bolachão voltou com tudo para o topo das paradas.


Por Rodrigo Niemeyer Reinelt -
rnreinelt@baladaplanet.com.br

6/1/2010

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COMENTÁRIOS (deixe também seu comentário!)
Data: 8/7/2010 7:03:35 PM
Nome: wendell
Mensagem: Green sóo toca no vinil So que é vee elle auvivo
Data: 6/9/2010 5:49:32 PM
Nome: el Tonto
E-mail: djtonto@hotmail.com
Mensagem: Parabens pela matéria!
Data: 6/9/2010 12:56:01 PM
Nome: Gabys
Mensagem: Vinil é arte!!!!
Data: 6/8/2010 9:20:43 PM
Nome: Luciano
E-mail: loco_lu@hotmail.com
Mensagem: Vinil Will never die!!!!
Data: 6/5/2010 7:36:59 AM
Nome: Glen
E-mail: glenfaedo@yahoo.com.br
Mensagem: Boa matéria!!
Eu sou apaixonado pelas capas!!
hahahah
Data: 6/3/2010 2:24:07 PM
Nome: djbarba
E-mail: sjbarbatec@hotmail.com
Mensagem: Ótima matéria ... parabens !!!!!

é uma forma diferente de sentir a musica , e tambem " ver " a musica .... ADORO muito o vinil !!!!
Data: 6/2/2010 4:46:00 PM
Nome: Rodrigo
Mensagem: a melhor coisa do mundo é tocar com um vinil, espero que venha com força total
Abs!
Data: 6/2/2010 12:12:22 PM
Nome: Christian Hawk
Mensagem: Parabéns pela matéria Rodrigo! Vou dar share!
Data: 6/2/2010 11:40:52 AM
Nome: Hanuar
Mensagem: Muito legal....
Data: 6/1/2010 10:47:18 PM
Nome: eduardo
E-mail: sink.venice@hotmail.com
Mensagem: "Muito boa, mesmo!
Alias, é graças a essa baixa rotação
que, a melhor e a mais simples das
mixagems é feita; [quando duas
faixas, tocam juntas no mesmo loop,
unidas pelo crossfeith.]
Seja quaisquer vertentes da e-music,
house, techno ou trance.
Data: 6/1/2010 11:44:17 AM
Nome: Laurent
E-mail: djlaurentf@hotmail.com
Mensagem: Bacana a matéria!!!!!!!

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